Crítica : O Diabo Veste Prada 2
“O Diabo Veste Prada 2” chega facilmente como um dos filmes mais esperados de 2026, inclusive entrando em disputa direta de atenção com Michael. E junto da expectativa vinha a pergunta inevitável: depois de 20 anos, essa continuação era realmente necessária? Surpreendentemente, a resposta aqui parece ser sim.
O grande acerto do filme é entender que o mundo mudou. Se no primeiro longa a moda girava em torno de revistas impressas, editoriais e o poder físico das publicações, agora tudo passa por tecnologia, influência digital, blogs, revistas online e velocidade de consumo. O filme abraça essa atualização e usa isso como motor da história.

A personagem de Anne Hathaway volta a trabalhar com Miranda Priestly, novamente vivida por Meryl Streep, mas agora num cenário completamente diferente. Sua habilidade como escritora já não é tratada como algo essencial, e ela percebe que precisa se reinventar se quiser continuar relevante.
A missão da vez envolve conquistar uma entrevista com uma figura milionária e influente do mundo da moda, alguém que Miranda deseja há anos. Isso cria a corrida perfeita para o filme funcionar: pressão, ambição e a velha disputa por aprovação.
O longa acerta bastante no humor, principalmente nos momentos de constrangimento causados por essa modernização da indústria. Gente tentando parecer atual, executivos correndo atrás de tendências que não entendem e personagens tentando sobreviver num mercado que mudou rápido demais.

Ao mesmo tempo, o filme perde um pouco ao suavizar Miranda. Aquela figura quase monstruosa e irresistível do primeiro filme surge mais controlável aqui. Parte dessa função de “megera chique” acaba migrando para a personagem de Emily Blunt, enquanto Andy já sabe como lidar com a chefe e com o sistema. Isso tira um pouco do medo e da imprevisibilidade.
O roteiro também aproveita para amarrar pontas antigas, incluindo uma espécie de redenção para o personagem de Stanley Tucci, algo que funciona bem emocionalmente.
Conclusão
“O Diabo Veste Prada 2” entende como continuar sem parecer cópia. Atualiza o universo, diverte, resolve pendências antigas e entrega uma sequência redonda. Talvez não tenha o impacto revolucionário do original, mas funciona tão bem que termina como um dos melhores filmes do ano.





