Crítica – A Ilha Esquecida ( 2026)
Uma loucura visual
A Ilha Esquecida é definitivamente a montanha-russa da DreamWorks. Tecnicamente, o filme é impecável. Com uma animação que embarca de cabeça na linguagem de Aranhaverso, fica fácil entender o tamanho do trabalho por trás de tantos frames, movimentos e estilos diferentes. Levando em consideração que os mesmos produtores de Gato de Botas 2 estão envolvidos no projeto, tiro o chapéu. O filme é uma loucura visual do começo ao fim.

Entre a magia e o terror
Só que existe algo curioso: A Ilha Esquecida parece muito mais um filme de terror do que uma aventura mágica. A combinação de imagens, trilha sonora e criaturas cria momentos que poderiam facilmente estar em uma produção de horror. A própria vilã parece ter saído diretamente de uma creepypasta.
Entendo que tudo isso faz parte do folclore filipino, e acho muito interessante a DreamWorks explorar uma mitologia diferente. Mas fica aquela pergunta: eu não faria um filme sobre o Saci-Pererê mirando o público infantil e acabaria entregando algo que parece ter saído de Terrifier.
O coração da história
Apesar de toda essa loucura, o roteiro encontra seu equilíbrio na amizade entre Jo e Raissa. Família, abandono, escolhas e amizade dão peso emocional à aventura, mostrando que aquela relação pode durar por toda uma vida. E, como é tradição da DreamWorks, quando você menos espera, o filme está tentando mexer com seus sentimentos.

E as piadas? Aí vem a bomba
Desde sempre a DreamWorks coloca piadas adultas nas entrelinhas, mas aqui a coisa passa um pouco do ponto. Não é necessariamente explícito, porém existem situações que uma criança pequena pode não entender, perguntar o motivo ou até reproduzir.
A piada da batata é provavelmente o ápice daquele momento em que pai ou mãe começa a pensar: “será que é melhor sair da sala?”
No fim, acho que A Ilha Esquecida funciona melhor para adolescentes e adultos. É visualmente ousado, emocionalmente eficiente e completamente maluco. Mais um acerto da DreamWorks desde Gato de Botas 2,só não sei se as crianças estavam preparadas para tanto terror.




