Crítica : Feito Pipa (2026)

Uma história simples, mas necessária

Interessante, sentimental, atual e necessário. Essas são algumas das palavras que definem Feito Pipa, um filme que chega com a missão de abordar assuntos que o cinema brasileiro vem explorando cada vez mais, principalmente quando falamos de preconceito, aceitação e relações familiares.

A história acompanha Gugu, um garoto que encontra na avó a liberdade para ser quem realmente é, enquanto precisa lidar com um pai que não consegue aceitar completamente seu jeito de ser. E o mais interessante é que o filme não tenta fazer do menino alguém que precisa mudar. Na verdade, quem precisa aprender alguma coisa são os adultos ao seu redor.

O coração do filme está na família

Yuri Gomes é uma das grandes surpresas da produção. O garoto tem carisma e consegue carregar boa parte da história, principalmente nas cenas com Teca Pereira, que interpreta sua avó. A relação entre os dois é, sem dúvida, o que o filme tem de melhor.

Quando a memória dela começa a falhar, a história ganha um peso emocional ainda maior. É triste acompanhar uma criança percebendo que pode perder justamente a pessoa que mais a protege.

Lázaro Ramos também tem seus bons momentos, mas confesso que esperava um desenvolvimento melhor do personagem. Alguns conflitos parecem resolvidos de maneira simples demais, e o roteiro, por vezes, força um pouco a emoção quando poderia deixar as situações acontecerem naturalmente.

Mas será que é filme para Oscar?

Gostei de Feito Pipa. É uma história bonita, bem-intencionada e que merece ser contada. Mas não consigo deixar de questionar sua escolha para representar o Brasil no Oscar 2027.

Depois de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, dois filmes que elevaram bastante as expectativas sobre o nosso cinema, esperava uma produção com um impacto maior. Não estou dizendo que Feito Pipa seja ruim ou que não mereça seus prêmios. Muito pelo contrário. Só acho que existe uma diferença entre fazer um bom filme e entregar uma obra realmente marcante.

Vale a pena, mas sem exageros

No fim, Feito Pipa funciona principalmente pelo carinho que sentimos pelos personagens e pela mensagem que deixa. É um filme que fala sobre liberdade, amadurecimento e, acima de tudo, sobre o medo de perder quem amamos.

É bonito, emociona e merece ser visto. Só não consigo enxergar nele aquela força que me faça acreditar em uma terceira indicação consecutiva do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

E tudo bem. Nem todo bom filme precisa ser um candidato ao Oscar para ter seu valor.

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