Crítica: Black Box Diaries
“Black Box Diaries” conta a história daquela que é considerada pela Time como uma das pessoas mais influentes do mundo. Shiori Itō nos mostra a dura realidade de uma mulher, que clama por justiça, no Japão.
Em 2015, a jornalista Shiori Itō foi vítima de agressão sexual. Em 2017, ela torna esse caso público, publicando o livro “Black Box Diaries”. 7 anos depois, é lançado o documentário homônimo, que nos divulga todo o complicado processo de investigação de seu próprio estupro, as várias tentativas de fazer justiça e fazer com que o homem arque devidas consequências. Mas o caso tem um complicador: seu abusador é amigo próximo do primeiro-ministro Shinzo Abe.
A obra escancara um grande problema do Japão, que perdura por séculos: a desigualdade de gênero. Poucas mulheres assumem posições de liderança em um país que segue à risca o patriarcado. Assim subordinando-as aos homens. Shiori Itō exibe muito bem ao público esse machismo extremo, além de seu sofrimento e seu desejo de justiça são ignorados. É impressionante assistir a força e luta da jornalista.
Esse documentário foi necessário. Além de tratar sobre importantes tópicos da nossa contemporaneidade, é uma obra muito bem feita. Apresenta uma mensagem clara e objetiva: “Quero justiça, e não vou abrir mão da mesma”, além de possuir uma boa montagem. Por exemplo, quando áudios de ligações telefônicas ou de noticiários são exibidos, o filme nos recheia com filmagens de Tóquio ou da própria Shiori, nos ambientando e contextualizando.
Por fim, foi merecidamente indicada ao Oscar de 2025, o abuso sexual é um crime horrendo, que prejudica suas vítimas física e psicologicamente. Black Box Diaries cumpre seu papel ao divulgar para o público o silenciamento de uma mulher em um país “desenvolvido”.
Texto original por Pedro Altaf, adaptação por Frednunes.