Crítica- O Sorveteiro (2026)
Eli Roth parece ter perdido a mão na questão terror. O Sorveteiro chega com uma estética de filme dos anos 80, lembrando A Mosca e Enigma de Outro Mundo, mas misturada com uma dose de Terrifier. A intenção parece ser criar uma nova figura para a mística do terror, só que não é exatamente o que vemos.
A história até é interessante: um sorveteiro chega a uma cidade e todas as crianças se deliciam com seus doces, menos uma, que é intolerante à lactose. Naquela noite, o sorveteiro retorna e as crianças, hipnotizadas, começam a massacrar os adultos da cidade das formas mais bizarras possíveis.
Ok, bacana. Crianças fazendo atrocidades sempre podem render um terror diferente, e Roth aproveita para entregar mortes gráficas, gore e situações absurdas. O problema é que, depois de algumas delas, você já entendeu completamente a brincadeira. O choque funciona inicialmente, mas a repetição faz as mortes perderem força.

E aí vem o principal problema: os personagens que deveriam ser nossa âncora simplesmente não funcionam. As crianças não recebem desenvolvimento suficiente para criar uma conexão real, enquanto o próprio sorveteiro, que deveria ser o grande ícone do filme, acaba ficando apagado dentro da própria história.
O roteiro também é ridiculamente mal feito. A premissa tinha potencial para ser muito mais criativa, mas o filme parece satisfeito em juntar crianças assassinas, referências de terror e uma sequência de mortes. Até o humor, que deveria sustentar o absurdo, nem sempre funciona.
E talvez o mais estranho seja pensar que estamos falando do mesmo Eli Roth de O Albergue. Em vários momentos, parece mais um cara fazendo terrorporn por diversão, jogando gore na tela e esperando que isso seja suficiente. Porque existe diferença entre ser grotesco e ser assustador. O Sorveteiro consegue ser grotesco, nojento e até engraçado pelo absurdo. Medo? Pouquíssimo.

No fim, temos uma ótima premissa, bons efeitos e algumas mortes criativas, mas um roteiro que não sabe aproveitar nada disso.
Eli Roth tinha sorvete, crianças assassinas e liberdade para fazer uma maluquice. Infelizmente, esqueceu de colocar sabor na receita.



