Crítica – Resident Evil (2026)
Um recomeço que devolve esperança aos fãs
Resident Evil com certeza é uma das grandes apostas de 2026, ao lado de Obsessão. Zach Cregger mais uma vez acerta ao criar um terror que mistura quase uma realidade alternativa com a nossa própria realidade. A forma cinematográfica escolhida pelo jovem cineasta é uma das grandes inovações do projeto e mostra que ainda existe espaço para fazer algo diferente dentro do gênero.
O novo Resident Evil foge completamente dos jogos e, principalmente, dos terríveis filmes protagonizados por Milla Jovovich. A decisão de começar do zero, com um personagem completamente aleatório e uma história que não depende de Raccoon City, traz uma esperança nova para o público e, principalmente, para os gamers.

Mais do que zumbis
Durante anos ficou a sensação de que seria impossível adaptar uma franquia como Resident Evil. The Walking Dead manda lembranças de como se faz. 😂 Cregger entende que não precisa simplesmente copiar os jogos, mas reproduzir a sensação de estar jogando.
O filme praticamente abandona o tradicional conceito de zumbi e aposta em infectados monstruosos, deixando tudo mais hostil. A própria estrutura parece uma partida: novos ambientes, criaturas, obstáculos, recursos e situações cada vez mais absurdas. É survival horror transformado em cinema.
E o protagonista é a cereja do bolo. Ele não é um super-herói preparado para aquela situação. É uma pessoa comum, assustada, que precisa improvisar para sobreviver. Isso torna suas decisões muito mais próximas daquilo que nós mesmos provavelmente faríamos.

Quando o filme começa a tropeçar
As piadas também funcionam justamente porque brincam com aquela lógica clássica dos filmes de terror: decisões aparentemente idiotas, mas que provavelmente seriam exatamente as que uma pessoa comum tomaria diante do desespero.
O problema aparece no clímax. O filme chega a um ponto em que você começa a pensar: como um ser humano comum conseguiu chegar tão longe? E a falta de um vilão realmente marcante pesa. No lugar dele, temos alguns cientistas que parecem estudantes de Ciências Médicas de Belo Horizonte decidindo o destino da humanidade e tomando as decisões mais trapalhonas possíveis. KKKKK.
Mesmo com esse tropeço, Cregger consegue fazer algo que parecia cada vez mais difícil: dar identidade própria a Resident Evil.
Só espero que o filme se contente com esse capítulo e deixe a franquia na geladeira por um bom tempo, até alguém realmente encontrar outra maneira de acertar novamente.
Depois de tantos anos, talvez o maior acerto de Resident Evil tenha sido simplesmente começar de novo.



