Crítica: A Morte Lhe Cai Bem
“A Morte Lhe Cai Bem” é, definitivamente, uma série que chegou na época errada e isso justifica seu cancelamento precoce.

Georgia Less está começando a vida adulta. Acaba de fazer 18 anos, encontra seu primeiro estágio e como toda jovem, tem seus conflitos em casa com sua família. Tudo isso muda quando, no primeiro dia do trabalho, um vaso sanitário se desprende da estação espacial e cai bem encima da garota. Mas o fim da sua vida é, também, o início da sua nova vida como ceifeira. Em meio ao trabalho como morte, ela continua “vivendo” e isso mostra que tem coisa bem pior que ir para o inferno.
O ano era 2003 quando a série estreia. Com duas temporadas, apesar da trama ter uma linha condutora, os episódios são completos dentro de si. Isso acontecia, pois, diferente de hoje, as pessoas não conseguiam maratonar e acompanhar sempre, de forma fácil. Por isso, imagino que se estreasse hoje, sua recepção seria maior. Afinal, apesar da forma simples pelo tom de comédia, os assuntos são bem profundos e filosóficos.

A proposta de que os ceifeiros ainda trabalham e tem relacionamentos, mesmo após a morte, é questionável. Afinal, se a intenção é ela seguir a vida normalmente, o sobrenatural perde um pouco da importância. Até mesmo a estrutura de como funciona a organização. Rubem é o líder e ele quem recebe e, repassa, as ordens de mortes. Mas quais os critérios? Qual a razão que faz a pessoa morrer e ir para o além, ou se tornar morte? Por mais que as respostas vão surgindo, são rasas e pouco exploradas.
“A Morte Lhe Cai Bem” oferece a oportunidade que ela mesmo perde, que é uma forma diferente de trabalhar um dos grandes tabus sociais.




