Crítica: Aftersun
“Aftersun“, lançado pela O2 Play, é um estudo profundamente tocante sobre memória.

O filme acompanha Sophie, que relembra sua tentativa de se conectar com o pai durante uma viagem à Turquia há 20 anos, entrelaçando lembranças reais e imaginárias. Ele propõe um retrato extremamente pessoal e íntimo das relações familiares, conduzindo o público em uma jornada de memórias. O objetivo é analisar a existência de um universo alternativo, uma galáxia interior que se desenrola nas pessoas mais próximas, revelando suas dores e frustrações.
Com um roteiro precioso em mãos, a diretora estreante Charlotte Wells cuidadosamente enriquece uma inocente viagem de férias em um clube na costa turca que aconteceu nos anos 90 com alguns detalhes que fazem a diferença. Como, por exemplo, diálogos leves e breves, onde as expressões faciais e os gestos dizem mais do que as palavras. E enquadramentos muito bem ponderados que, literalmente, dão alma aos personagens.

O drama da A24, que aborda um percurso de crescimento e autoconhecimento por meio de vídeos caseiros e lembranças da Sophie, já adulta, destaca um elenco carismático e talentoso. Paul Mescal mostra uma presença fortíssima como o jovem pai Calum. Enquanto Frankie Corio, em início de carreira, consegue transmitir com equilíbrio a infância e a adolescência, formando uma química intensa e envolvente entre os personagens. Além disso, o longa presenteia a audiência com uma fotografia bela e ensolarada. Mas que, em outras ocasiões fria e melancólica, e uma trilha sonora super contemplativa, a sequência final é surpreendentemente marcante e comovente.
“Aftersun” planta uma sementinha na cabeça do espectador, exibindo uma conexão delicadíssima entre os protagonistas. É um título que pede para ser visto e revisto.
Texto por Pedro Barbosa.





