Crítica-Os Farofeiros 3

Os Farofeiros 3 é aquele tipo de comédia em que o humor parece muito mais forçado do que espontâneo. A franquia, que já conquistou seu espaço entre as comédias populares brasileiras, chega ao terceiro capítulo sem apresentar grandes novidades. Agora, com uma viagem internacional como pano de fundo, o filme tenta repetir a fórmula dos antecessores, mas acaba entregando uma experiência cansativa em diversos momentos.

Uma das poucas novidades está na maneira como a história é apresentada: boa parte dos acontecimentos é contada através de uma peça de teatro encenada pelos próprios filhos dos personagens. É uma ideia interessante e que abre espaço para uma linguagem visual diferente. Nesse aspecto, a direção de arte e o figurino brilham com toda certeza, trazendo personalidade para essa brincadeira dentro da narrativa. Por outro lado, os efeitos em CGI chamam a atenção de uma maneira nada positiva, com uma aparência que lembra claramente imagens geradas por inteligência artificial e acaba caindo naquele famoso vale da estranheza.

Outro ponto que incomoda é a quantidade de anúncios e patrocinadores espalhados pela história, que em certos momentos parecem disputar espaço com os próprios personagens. As quebras de quarta parede também aparecem sem muito sentido, enquanto algumas piadas dependem de memes e referências da internet que nem todo mundo vai entender — como uma brincadeira dentro do avião que parece exigir que o espectador esteja por dentro de determinadas tendências para conseguir rir.

Felizmente, ainda existem alguns destaques no elenco. Danielle Winits continua aproveitando muito bem o humor exagerado da personagem, enquanto Nilton Bicudo encontra boas oportunidades nas piadas envolvendo a família. Maurício Manfrini segue apostando naquele humor de tiozão, com tantas características de Paulinho Gogó que parece impossível separar completamente o ator de seu personagem mais conhecido. Cacau Protásio tem uma ótima interação com Danielle, criando algumas das dinâmicas mais divertidas do filme. Já Aline Campos surge praticamente como a carta coringa da produção: além de trazer beleza para a tela, interpreta uma personagem que chama a atenção justamente por apresentar um diferencial dentro daquela confusão toda.

Mas, no fim das contas, esses momentos não são suficientes para salvar o conjunto. Os Farofeiros 3 até tenta apresentar uma novidade na forma de contar sua história, mas não consegue renovar sua comédia. Parece acreditar que basta reunir novamente os mesmos personagens para garantir as risadas.

É aquela velha história: mudar o destino da viagem não significa mudar o roteiro. A franquia continua entregando praticamente a mesma fórmula de seus antecessores, mas, desta vez, com menos graça e muito mais propaganda no caminho.

Our Score
Click to rate this post!
[Total: 0 Average: 0]

Você pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.