Crítica – Velhos Bandidos
“Velhos Bandidos” parte de um lugar muito específico: não é só mais uma comédia de ação, mas quase uma celebração disfarçada de filme esse encontro entre Fernanda Montenegro e Claudio Torres carrega um peso que vai além da tela. Existe uma intenção clara de leveza, de entretenimento direto, sem grandes pretensões, e o filme deixa isso evidente desde o começo.
E é difícil dar errado quando se tem um elenco desse tamanho. Além de nomes centrais como Ary Fontoura e Vladimir Brichta, o filme ainda brinca com participações que viram quase um desfile de veteranos Toni Tornado, Teca Pereira, Vera Fischer, Nathalia Timberg, Reginaldo Farias e só de ver essa turma em cena já existe um prazer imediato. A nova geração entra como equilíbrio, com Bruna Marquezine e Lázaro Ramos ajudando a manter o ritmo mais ágil e acessível.

A trama segue leve, divertida, com reviravoltas que funcionam mais pelo timing do que pela surpresa. O roteiro é bem amarrado na maior parte do tempo, mesmo com alguns furos aqui e ali nada que realmente comprometa, até porque o filme não te dá muito tempo pra ficar pensando neles. Em cerca de 90 minutos, tudo flui com eficiência.
Mas nem tudo encaixa tão bem. Claudio Torres carrega a mão em alguns recursos que acabam pesando contra o filme: o uso excessivo de zoom, efeitos sonoros de humor mais escancarado, quase como vídeos de internet, e uma condução que, em vários momentos, lembra muito a linguagem de novela ou programa de TV. Até o clímax do assalto, o filme flerta com uma comédia pastelona e esse é facilmente o seu ponto mais fraco.

Só que, ao mesmo tempo, é justamente esse exagero que também dá identidade ao filme. Ele não tem vergonha de ser popular, de ser acessível, de apostar no riso fácil quando precisa. E funciona muito por causa disso. O elenco compra totalmente a proposta, se diverte, exagera quando precisa ,e essa energia atravessa a tela.
No fim, “Velhos Bandidos” não tenta reinventar nada, e talvez nem precise. Pode não ser um filme marcante em termos de linguagem ou narrativa, mas é eficaz, ágil e, acima de tudo, divertido. E com esse elenco… dá até a sensação de que o orçamento foi todo pro cachê, o que, sinceramente, foi um ótimo investimento.





