Crítica: Ne Zha
O filme Ne Zha chega como uma animação de origem oriental que consegue tocar públicos do mundo inteiro. A história de um garoto destinado a ser vilão, mas que insiste em reescrever sua própria trajetória, é contada com ritmo, humor e drama na medida certa.

O mais curioso está fora da tela: uma produção chinesa que, mesmo sem o peso da tradição ocidental, superou grandes animações em experiência visual. Os Estados Unidos, acostumados a ditar o padrão de excelência nas telas, veem nesse sucesso um lembrete de que a hegemonia cultural também pode ser questionada. A estética de Ne Zha funciona quase como um manifesto visual: cenários vibrantes e batalhas carregadas de energia são o símbolo da mitologia chinesa. Nesse sentido, o filme se torna mais do que entretenimento; ele encena a quebra de um destino já escrito, tanto para o personagem quanto para a própria indústria cultural chinesa.
Ne Zha nasce com uma maldição que o condena a se tornar um demônio. Apesar disso, ele luta para escolher seu próprio destino. A jornada mistura humor, ação e emoção. O protagonista enfrenta monstros, dragões e, principalmente, seus próprios medos. No fim, a verdadeira batalha não acontece contra inimigos externos, mas contra a ideia de que ele já estava condenado.

Assim, Ne Zha mostra que não existe monopólio sobre a imaginação. Como o fogo que o protagonista domina, a criatividade pode se espalhar sem fronteiras e iluminar novos caminhos.





