Crítica – Pinocchio (de Igor Voloshin)
Pinocchio,dirigido por Igor Voloshin, parte de uma ideia que o cinema já conhece bem: pegar uma história clássica e retorcer até virar algo novo. Aqui, isso aparece numa versão russa mais musical, colorida e ao mesmo tempo sombria, tentando se afastar do encanto tradicional da fábula.
Dá pra perceber que existe uma boa intenção por trás do projeto. O filme tem um ar mais humilde, quase como se fosse uma produção menor, focada mais na experimentação do que no espetáculo. E isso, por si só, poderia funcionar. O problema é que essa proposta não se sustenta como deveria.

A direção aposta muito na estética e nessa atmosfera excêntrica, mas acaba se perdendo dentro do próprio roteiro. Em vez de aprofundar essa releitura, o filme gira em torno da própria ideia sem desenvolver algo realmente envolvente. O ritmo é arrastado em vários momentos, e o que poderia ser uma versão provocativa da história acaba se tornando mais chato do que interessante.
Essa mistura de musical com um visual mais estranho até chama atenção no início, mas não se mantém. Falta uma condução mais firme, algo que dê propósito a tudo aquilo que está sendo mostrado. A sensação é de um filme que quer ser diferente, mas não encontra força suficiente pra justificar essa diferença.

No fim, fica também a impressão de que essa é uma fábula que talvez nem precisasse de uma nova adaptação. Ou pelo menos não dessa forma. A ideia em si não é ruim, mas parece que funcionaria melhor em outro formato, talvez no teatro, dentro de uma proposta mais voltada ao absurdo.
Pinocchio tenta reinventar, mas acaba se perdendo no próprio caminho.





