Crítica- A Maldição da Múmia

“A Maldição da Múmia” já chega cercado de uma certa confusão. Pelo título em inglês, muita gente achou que fosse alguma ligação com os filmes do Brendan Fraser — mas não tem nada a ver. Aqui, Lee Cronin faz exatamente o que já virou a marca dele: terror desconfortável, físico, daquele que mais incomoda do que assusta no sentido tradicional.

A história começa no Cairo, com um jornalista e sua família, até que a filha mais nova é sequestrada por uma vizinha com intenções claramente malignas. Anos depois, ela reaparece — encontrada, mumificada… mas viva. E é aí que o filme realmente começa a mostrar a que veio: uma narrativa que reforça aquela velha ideia de que nem tudo deve ser desenterrado.

E o mais interessante é que o terror aqui não depende de mortes em sequência ou sustos fáceis. O que pega mesmo é o terror corporal, a deterioração da personagem, as “nojeiras” que vêm junto com essa maldição. Cronin aposta nesse incômodo físico, quase visceral — e funciona. Tem cena que gruda, especialmente uma envolvendo uma unha do pé que, sinceramente, dá mais aflição do que muito filme inteiro por aí.

Ao mesmo tempo, o filme não escapa de problemas. A duração pesa — são duas horas para uma história relativamente simples, que poderia ser mais direta. Em alguns momentos, a sensação é de que ele se estende mais do que deveria. E curiosamente, o tradicional arquétipo da criança “assustadora” não é o foco aqui; quem acaba assumindo esse peso é a própria mãe, numa construção que gera mais incômodo do que empatia.

Conclusão

Ainda assim, “A Maldição da Múmia” funciona. É uma surpresa dentro de 2026 justamente por entender que terror não precisa ser só sobre susto ou massacre. Ele incomoda, marca e entrega uma experiência mais agressiva, mais física — sem precisar abrir caminho pra franquia ou algo maior.

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