Crítica: 2DIE4 – 24 Horas no Limite (2026)
2DIE4 prova que ousadia ainda existe no cinema brasileiro
Ousadia talvez seja a palavra que melhor define 2DIE4 e seus diretores. Vindos da terra do pão de queijo, os mineiros de Teófilo Otoni, André e Salomão Abdala alcançaram algo que parecia improvável para uma produção nacional: entregar o primeiro projeto brasileiro em IMAX. E se engana quem pensa que isso aconteceu de forma simples.
Segundo os próprios irmãos, a jornada foi cansativa, cheia de obstáculos, reuniões e permissões até transformar o sonho em realidade. E deu certo. 2DIE4 não é apenas um filme sobre carros ou velocidade. É um filme sobre insistência, ambição e sobre recusar o “não” como resposta.
A linguagem da obra flerta com o documentário, mas em muitos momentos sequer parece um documentário. O longa se comporta como uma ficção extremamente bem roteirizada e produzida, com ritmo, tensão e construção dramática dignos de uma narrativa tradicional. Existe uma inteligência grande em como ele mistura realidade e cinema sem soar artificial.

Tecnicamente, tudo impressiona. A direção de arte é precisa, a fotografia faz excelente uso das lentes Panavision, a edição sustenta o dinamismo da corrida e a trilha sonora ,tanto original quanto soundtrack encaixa com perfeição em cada momento importante. No IMAX, o desenho de som praticamente coloca o espectador dentro de 24 Hours of Le Mans.
O tempo curto de duração deixa aquele gosto de quero mais. Não necessariamente por pedir continuação, mas por querer passar mais tempo dentro desse universo. Como o foco principal recai sobre Felipe Nasr, os outros pilotos acabam ficando mais à margem da narrativa, servindo mais como contexto do que como personagens propriamente ditos.
E isso nos leva ao final, talvez um dos maiores acertos do filme. Impactante, foge do caminho óbvio e entrega um encerramento redondo , sem trocadilho intencional. A mensagem é clara: nem tudo sai como planejamos, mas insistir pode render frutos no futuro.

Conclusão:
A estreia de André e Salomão nas telas traz um frescor raro de ideias e gêneros para o cinema nacional, especialmente em um momento em que parte da indústria parece presa entre repetir fórmulas ou vender qualquer improviso como “arte”. 2DIE4 vai no sentido contrário: pensa grande, executa bem e mostra que ainda existe espaço para inovação no Brasil.





