Crítica: Corrida dos Bichos
“Corrida dos Bichos” é uma daquelas produções que provam que o streaming não está atrás do cinema e que filmes nacionais tem grande potencial, quando querem.

Em um tempo distópico, o mar secou e o Rio de Janeiro é um cenário desolador. Mas se tem algo que não muda é a forma como os mais ricos inovam ao explorar os mais pobres. Aqui, a promessa de acender socialmente está relacionado a uma competição. Enquanto os mais pobres correm uma maratona para salvar um refém, um rico se torna seu guia. A derrota significa a perda de um familiar que pode ser condenado ao trabalho escravo ou ate se tornarem brinquedos sexuais. E é dessa realidade de Mano tenta salvar a irmã, correndo como Gato.
Por ser uma produção da Prime Vídeo, podemos sim considerar que teve um investimento robusto. E podemos perceber isso facilmente pela qualidade dos efeitos especiais e pelo elenco do filme. A dinâmica do filme é simples, temos um protagonista contra um sistema. E a falha está, justamente na tentativa de estabelecer esse universo. Fica um pouco solto e sem explicação.

Mas em relação a ação, nos momentos das corridas, é aqui que os esforços deviam ser direcionados e funcionam. As corridas são, de fato, instigantes. Por mais que vamos ter o Gato vencendo no final, o filme sabe flertar com a possibilidade da falha. E, pelo final, a proposta de continuar é clara. Anita faz uma participação como a narradora do jogo e faz sentido pelo contexto. Afinal, temos sim uma cultura de comentaristas esportivos e, não é por conta do fim do mundo, que esse aspecto se perderia.
“Corrida dos Bichos” me foi uma grata surpresa, mas admito que a expectativa estava baixa.




