Crítica: Mushoku Tensei
“Mushoku Tensei” é mais um dos animes de reencarnação que ganha protagonismo, mas pelos motivos errados. E, talvez, seu sucesso diga bastante sobre a sociedade atual que é assustador?

Rudeus morre e reencarna em um mundo onde magia é possível. Assim como nos demais animes do gênero, ele é prodígio por ter o conhecimento do mundo real, que aplicado aos conceitos, amplificam sua performance. De uma criança prodígio até o caminho de aventureiro, ele conhece potenciais pares românticos e amigos de viagem, enquanto tenta entender como foi parar nesse mundo e qual seu objetivo.
Para esse anime, tenho que trazer algo que não costumo abordar, mas que faz sentido dado ao detalhe. Em entrevistas, o criador da série comenta sobre como “tudo é de mentirinha”, para reduzir o debate sobre a maior polêmica que envolve a produção. Já tivemos personagens “tarados” em animes, mas aqui temos uma escala maior. Se muitos chegam com uma comédia, problemática, mas amenizada. Aqui temos comentários explícitos e até cenas que reforçam tais comentários.

Mas se esse ponto de fetiche está relacionado ao protagonista, nesse mundo há elementos de dominância social e escravidão. Contudo, Rudeus não questiona, mas parece abraçar as propostas. Apesar da consciência da produção de que, talvez, deixar claro que o protagonista não é uma boa pessoa, a falta de um arrependimento é o detalhe que assusta. Afinal, quem assiste a animação ainda pensa que “tudo é de mentirinha” e que alguém assim não é real, ou pensa de forma semelhante.
“Mushoku Tensei“, em meio ao ambiente da internet, é uma produção que nasce ciente do público que pode, ou deseja, atingir. Um público que cresce, assusta e aos poucos toma coragem para inspirar outros.




