Crítica : ”Michael” (2026)

“Michael” já chega com uma missão gigante: ser a maior cinebiografia musical já feita. E faz sentido, estamos falando de Michael Jackson. Mas o filme acaba caindo num problema que já virou padrão ,o tal “efeito Bohemian Rhapsody”: transformar uma vida complexa em algo mais limpo, mais fácil de consumir.

Dirigido por Antoine Fuqua e estrelado por Jaafar Jackson, o filme cobre desde o início com o Jackson 5 até o auge nos anos 80 , e já existe a divisão em mais de um filme. Mesmo assim, fica a sensação de pressa. Um artista desse tamanho dificilmente caberia em duas horas (ou até em dois filmes). Era material pra algo mais profundo, talvez até uma trilogia.

O grande acerto aqui é o Jaafar. Ele não só interpreta, ele incorpora. Tem momentos em que você realmente esquece que está vendo um ator. As cenas musicais são o ponto alto , ali o filme ganha vida, vira espetáculo de verdade. A nostalgia bate forte, principalmente pra quem cresceu com aquelas músicas.

E Colman Domingo também chama atenção como Joe Jackson, construindo uma figura incômoda, pesada, que o filme claramente coloca como o grande vilão.

O problema é que “Michael” trata o artista quase como uma figura perfeita. Sem defeitos, sem contradições, sem zonas cinzentas. E isso pesa. A responsabilidade por tudo recai praticamente em Joe Jackson, como se todas as decisões e consequências da vida do Michael viessem dali.

Tem também escolhas questionáveis, como a forma como John Branca é retratado quase como um salvador, enquanto Quincy Jones, peça fundamental na carreira, aparece de forma superficial. Além disso, o filme tenta colocar muitos elementos “de Wikipedia” de uma vez ,o zoológico, a família, os excessos — tudo meio jogado, sem desenvolvimento real.

Entre homenagem e biografia

No fim, “Michael” funciona mais como um grande videoclipe de homenagem do que como uma biografia. Um espetáculo visual, quase como um projeto de formatura bem produzido. E isso não impede de ser um bom filme , principalmente pela nostalgia e pelas performances.

Mas pra quem conhece a fundo a história, fica claro: o que está ali não é exatamente como foi.

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