Crítica – O Som da Morte (Whistle, 2025)

O Som da Morte surge com a promessa de trazer algo minimamente diferente para um gênero saturado, apostando em um artefato amaldiçoado como motor narrativo. A ideia até chama atenção no papel, mas, na prática, o filme rapidamente se revela mais um terror genérico, cujo maior atrativo acaba sendo apenas sua protagonista e, com alguma boa vontade, um coadjuvante específico.

Isso não significa que tudo seja descartável. Os efeitos práticos das mortes são um ponto positivo: há boa visibilidade, brutalidade gráfica e momentos que realmente causam desconforto físico no espectador. As cenas de morte conseguem provocar ânsia e cumprem bem sua função dentro do horror corporal. O problema é que tudo que envolve a construção dessas mortes — fora o impacto visual — deixa a desejar. A “resolução” dos assassinatos até funciona, mas o caminho até eles é pobre, previsível e pouco inspirado.

O projeto parece uma mistura escancarada de Premonição com Rua do Medo, reciclando elementos já conhecidos sem acrescentar personalidade própria. O roteiro insiste em colocar todos os personagens em posições de completa estupidez, o que mina qualquer empatia. A protagonista é o maior exemplo disso. Dafne Keen, que construiu uma imagem forte como a X-23 em Logan, entrega aqui uma atuação apática, quase anestesiada — algo que beira o “Lexotan em cena”. A escolha estética também não ajuda: o uso da peruca é tão artificial que distrai mais do que contribui.

Curiosamente, o personagem mais interessante do filme é o primo da protagonista. Ele consegue transitar entre comédia, drama e violência com naturalidade, trazendo algum frescor a um elenco majoritariamente sem profundidade. Quando ele está em cena, o filme respira; quando sai, volta ao automático.

A premissa central — um artefato que, ao ser tocado e ouvido, amaldiçoa todos ao redor, prevendo suas mortes de forma violenta e ligada à própria vivência — é boa, mas subaproveitada. No fim, O Som da Morte não inova, abre espaço para uma continuação desnecessária e deixa a sensação de que nem toda boa trajetória se sustenta para sempre.

A lição é simples: trabalhos passados podem ser bons — mas uma hora, a falha chega.

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