Crítica – Socorro
”Socorro’ surge como uma surpresa para 2026. Sam Raimi ainda pode causar certa desconfiança em parte do público por trabalhos recentes, mas uma coisa é inegável: ele dificilmente erra feio. O filme não é o melhor de sua carreira — Evil Dead e Homem-Aranha 2 seguem intocáveis —, mas é Raimi em seu habitat natural. Aqui, ele abraça o exagero, o sangue e toques de comédia que sempre foram sua assinatura.

A história é simples — e é justamente aí que funciona. Dois colegas de trabalho sofrem um acidente de avião e acabam presos em uma ilha, precisando sobreviver e encontrar uma forma de voltar. Uma premissa distante do que Raimi costuma fazer, mas surpreendentemente eficaz. O exagero sangrento e o humor ácido transformam o que poderia ser genérico em um projeto divertido e consciente do próprio tom.
Rachel McAdams aparece em um tipo de papel pouco comum em sua carreira, mais conhecida por romances, e surpreende positivamente no gênero. Ela segura bem a tensão e prova que poderia explorar mais o terror. Dylan O’Brien interpreta o chefe e antagonista da protagonista, em um papel que encaixa com naturalidade e até abre espaço para que o ator seja visto mais vezes nesse tipo de personagem.

Tecnicamente, o filme é funcional, mas escorrega nos efeitos visuais. Ao mesmo tempo em que ajudam a contar a história, acabam atrapalhando. O uso excessivo de CGI contrasta com o estilo mais prático que consagrou Raimi, tornando algumas cenas artificiais demais e tirando impacto do perigo.
No fim, Socorro não é o melhor terror do ano, nem o ápice da carreira do diretor, mas entrega exatamente o que promete: diversão, tensão e personalidade. Um filme que não reinventa o gênero, mas agrada quem gosta de terror e, principalmente, de Sam Raimi.





