Crítica – Ruídos (2025)
Ruídos (2025) é um filme de terror que mistura emoção e tensão de forma sensível e inovadora. A história acompanha Joo-Young (Lee Sun-bin), uma jovem surda que precisa lidar com o desaparecimento da irmã, Joo-Hee (Han Su-A), enquanto se vê envolvida em uma investigação cheia de mistérios. O grande diferencial do filme é como ele transforma o som — ou a falta dele — em parte central da narrativa, criando uma experiência sensorial única.
Lee Sun-bin entrega uma atuação impressionante, transmitindo medo, angústia e coragem sem depender de muitos diálogos. Han Su-A também se destaca, e mesmo com menos tempo em cena, sua presença permeia toda a história, reforçando a conexão emocional do público com a protagonista.

O uso do som é o ponto alto: ruídos distorcidos, abafados e inesperados não aparecem apenas para assustar, mas para colocar o espectador no lugar de Joo-Young, fazendo com que cada barulho carregue significado. Até o silêncio se torna quase um personagem invisível, aumentando a tensão e a imersão.
Além do suspense, o filme aborda questões humanas e sociais, refletindo sobre empatia e inclusão, e mostrando como o ambiente urbano pode se tornar um adversário invisível para quem enfrenta desafios auditivos.

O final pende para o clichê ou o impossível, mas ainda funciona dentro do estilo do filme. Os cineastas japoneses, especialistas em terror sensível e criativo, conseguem transformar fórmulas conhecidas em experiências envolventes, mantendo a narrativa interessante até o último instante.
No fim, Ruídos não é apenas um filme de terror: é uma experiência emocional que mistura medo, empatia e sensações, fazendo o espectador vivenciar o silêncio de uma forma intensa e humana.





