Crítica: Faça Ela Voltar
“Faça Ela Voltar” chegou aos cinemas com a missão de superar o sucesso estrondoso de “Fale Comigo“, que conquistou público e crítica antes e depois do seu lançamento. Muita gente, sem dúvida, vai considerá-lo o filme mais perturbador e assustador do ano. Mas, na minha opinião, “Fale Comigo” ainda deixa aquele gostinho de continuação na mente.

A trama, infelizmente, cai em clichês clássicos de terror: irmãos órfãos são adotados por uma pessoa aleatória e coisas estranhas começam a acontecer. O filme até apresenta pontos interessantes sobre como tudo será resolvido, mas por conta de um personagem central ligado à moça adotiva, a história se arrasta. O foco principal se torna apenas como os protagonistas irão lidar com a situação, enquanto Laura, a mulher misteriosa e obcecada, domina a narrativa. Andy poderia ter percebido o clima de terror e buscado ajuda, mesmo que da polícia, e Piper, por conta da sua “condição”, poderia ser mais perceptiva. Se tivessem agido, teríamos um filme mais curto ou com reviravoltas mais impactantes.
Visualmente, o longa ainda se sustenta. A fotografia explora contrastes de cores quentes e frias, criando tensão, e a trilha sonora alterna entre silêncios incômodos e explosões sonoras pontuais. Sally Hawkins rouba a cena, equilibrando doçura e loucura, enquanto Billy Barratt e Sora Wong entregam performances convincentes.

No fim, Faça Ela Voltar está longe de ser uma obra-prima ou o filme mais assustador de 2025 — título que deixo para Hora do Mal e Juntos. Perturbador, sim. Inovador, nem um pouco. O filme gera muita expectativa, mas entrega relativamente pouco. Ainda assim, cumpre seu papel de incomodar e deixar uma marca, provando que os irmãos Philippou não estão aqui para agradar: estão aqui para perturbar.
Texto original por Filipe Coelho, adaptação por Frednunes.





