Crítica : Minha Melhor Amiga

Uma amizade que não sustenta duas horas

“Minha Melhor Amiga” parece nascer muito mais da vontade de colocar Mônica Martelli e Ingrid Guimarães juntas novamente do que da necessidade de contar uma história realmente interessante. Em uma mistura de “Minha Vida em Marte” com “Perrengue Chique”, o filme tenta transformar a amizade das duas em seu grande acontecimento — e até existe carinho nessa proposta —, mas o roteiro acaba sendo raso demais para sustentar quase duas horas.

A sensação que fica é de que estamos assistindo a uma sequência de esquetes do “Vai Que Cola”, só que esticadas para virar longa-metragem. O humor das duas funciona melhor quando existe espontaneidade, mas aqui muitas situações parecem tão improvisadas que algumas piadas acabam provocando mais vergonha alheia do que risada. Em determinados momentos, dá até a impressão de que estamos assistindo a uma conversa particular entre as duas, com piadas que provavelmente fazem muito mais sentido para elas do que para quem está sentado no cinema.

E isso é uma pena, porque química não falta. Mônica e Ingrid claramente se divertem juntas, e essa energia aparece na tela. O problema é que a produção parece confiar tanto nessa amizade que esquece de construir uma história à altura dela. O filme acaba funcionando quase como uma celebração da relação das duas, com uma espécie de homenagem afetiva a Paulo Gustavo, mas isso não é suficiente para preencher uma narrativa tão longa.

Quando 1h20 seria melhor que 2 horas

Talvez esse seja o principal problema de “Minha Melhor Amiga”: ele simplesmente não precisava ter duas horas. A história poderia funcionar muito melhor em aproximadamente 1h20, mantendo as melhores situações, cortando os momentos que se arrastam e deixando a comédia respirar.

No fim, é uma comédia romântica que até tem seus momentos divertidos, principalmente para quem já gosta das duas atrizes, mas acaba presa em uma trama desinteressante e excessivamente prolongada. A amizade que deveria ser o coração do filme termina parecendo mais uma desculpa para reunir duas pessoas que claramente gostam de trabalhar juntas.

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