Crítica: O Outro Lado das Redes
“O Outro Lado das Redes” estreia tímido, pelo contexto político, mas entrega a mensagem que hoje nos faz pensar ainda mais.

“A Rede Social” é um dos filmes mais mencionados para quem estuda comunicação. Não apenas pela qualidade real do filme, mas também por mostrar o início de um dos maiores impérios globais. Mas, também, por mostrar pontos positivos e negativos da conduta de Mark Zukemberg. Se ele roubou a ideia ou inovou, cada um pode tirar sua conclusão. Contudo, aqui, não há espaço para interpretação. A verdade é que o sistema do Facebook deu suporte para o crescimento da extrema direita e, sim, culpado por parte do caos atual do mundo.
Sendo assim, é natural que o momento do vazamento do escândalo viesse ao cinema. Ainda mais em um ano eleitoral, tanto no Brasil quando nos EUA. Contudo, nem mesmo no melhor cenário, poderíamos imaginar que todo esse escândalo viria novamente para a mídia, com tema semelhante e a plataforma sendo acusada de beneficiar partidos e políticos brasileiros. E, assim, temos o melhor pior momento, pois seria excelente um filme desses em período eleitoral, mas também nem tanto.

Essa contente coincidência faz do filme mais tímido e comentado ao mesmo tempo. Mesmo com temas como o jornalismo investigativo, como as redes transformaram a comunicação e a sociedade, além da da qualidade, desaparece frente a polêmica. Tanto que, escrevendo esse texto mais tarde, ambos os temas já parecem um passado distante.
“O Outro Lado das Redes” se torna um texto estranho. Afinal, por mais que a crítica não fale do filme em si, seu contexto de lançamento interfere tanto que é um dos pontos mais válidos para ele. Ainda assustador, verdade. Mas a única constante é a mudança.



