Crítica – Enterrado Vivo (2026)

Uma promessa de grande suspense

Enterrado Vivo parece querer ser uma espécie de O Silêncio dos Inocentes com metade do orçamento. E, por mais ambiciosa que seja a comparação, a proposta inicial realmente chama atenção. A história acompanha um serial killer que se entrega à polícia justamente no dia da aposentadoria do detetive Matthew Shaw (Josh Duhamel). Mas existe uma condição: para descobrir onde está o filho sequestrado do policial, ele precisa solucionar uma série de crimes propostos pelo próprio criminoso.

A premissa é excelente para construir um suspense psicológico, colocando um pai desesperado diante de um assassino que parece estar sempre alguns passos à frente. E, felizmente, o elenco não é um problema. Josh Duhamel e Dylan Sprouse são os grandes destaques da produção, com atuações que ajudam a sustentar o confronto entre os personagens. Sprouse, em especial, entrega uma presença bastante interessante como o criminoso, enquanto Duhamel consegue transmitir o desespero de um homem que está prestes a perder aquilo que tem de mais importante.

Quando o roteiro facilita demais

A corrida contra o tempo mantém uma tensão interessante durante boa parte da narrativa, mas tudo começa a desmoronar quando o protagonista, aparentemente do nada, desenvolve uma espécie de capacidade sobrenatural de visualizar os crimes e praticamente adivinhar suas soluções. É uma escolha bastante questionável, que enfraquece justamente o que deveria ser o maior atrativo do filme: acompanhar uma investigação complexa e um duelo intelectual entre dois personagens.

Em vez de vermos o detetive ultrapassando seus próprios limites, utilizando inteligência, experiência e até mesmo métodos pouco convencionais para solucionar os casos, o roteiro entrega respostas convenientes demais. A investigação perde parte de sua força e algumas situações deixam de provocar o impacto esperado.

O mais frustrante é perceber que existia espaço para explorar muito mais o desgaste psicológico do protagonista, o desespero de um pai e a inteligência de um serial killer que consegue manipular toda uma investigação. Até a discussão sobre negligência institucional e abandono de jovens vulneráveis, sugerida pela história, poderia ter recebido um desenvolvimento mais interessante.

Uma boa ideia desperdiçada

No fim, Enterrado Vivo é um suspense que tinha potencial para entregar muito mais. Josh Duhamel e Dylan Sprouse funcionam muito bem juntos, a premissa é envolvente e a proposta de uma corrida contra o tempo oferece bons momentos. Entretanto, as facilidades do roteiro impedem que a produção alcance todo o seu potencial. O filme até tenta brincar de O Silêncio dos Inocentes, mas acaba esquecendo que não basta ter um serial killer inteligente: é preciso também ter um roteiro inteligente.

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