Crítica: Corra Que A Polícia Vem Aí
“Corra que a Polícia Vem Aí!” (2025) é aquele tipo de filme que não pede licença ao politicamente correto: simplesmente invade a tela, derruba tudo pela frente e dispara piadas sem parar.

O diretor transforma a narrativa em um verdadeiro parque de diversões de gags visuais, trocadilhos infames e sátiras que não poupam nada nem ninguém. É um humor de “metralhadora giratória” que, quando não bem dosado, pode cansar.
Liam Neeson subverte sua imagem séria de filmes de ação e drama e a usa como munição cômica, interpretando Frank Drebin Jr. com a mesma rigidez que seu pai fictício, vivido por Leslie Nielsen, usava para gerar humor. Essa ironia é o coração do filme. Pamela Anderson surpreende ao mostrar carisma e sintonia com o tom nonsense da produção, provando que protagonismo feminino não precisa estar limitado a jovens atrizes: uma mulher madura pode entregar humor, charme e presença de tela com igual intensidade.

A trama é quase irrelevante, servindo apenas como desculpa para emendar perseguições policiais absurdas, paródias de clássicos de Hollywood e referências inesperadas à cultura pop. Algumas piadas, porém, podem se perder para quem não conhece bem o contexto americano. A sátira envolvendo O.J. Simpson, por exemplo, é curta, mas hilária para quem entende o caso.
O humor é propositalmente exagerado e infantilizado. Quem busca sofisticação pode achar o filme “bobo demais”, mas essa é justamente sua proposta: rir do ridículo, rir do exagero, rir porque, às vezes, cinema precisa ser apenas isso. Até os créditos finais guardam piadas, então não saia da sala antes do fim.
Se perde, contudo, na tentativa de “atualizar” a franquia, abusando de tecnologia na trama e deixando o elenco secundário travado em alguns momentos.
Texto original por Filipe Coelho, adaptado por Frednunes





