Crítica:Antártida (2026)
Uma produção que promete muito
Antártida tinha praticamente todos os ingredientes para funcionar: efeitos especiais, um cenário cinematográfico, uma estação de pesquisa isolada e um elenco de peso. Os primeiros minutos são especialmente interessantes. Andréa Beltrão encontra seu comandante na neve e, naquele momento, você começa a imaginar que o filme vai mergulhar na loucura da solidão, em algum fenômeno sobrenatural ou até em algo relacionado ao próprio ambiente extremo.
Mas não. O verdadeiro vilão de Antártida são os seres humanos.
O frio poderia ser mais importante
A ideia de colocar apenas sete pessoas em uma estação no meio do gelo é ótima para um suspense de confinamento, mas o filme nunca consegue transmitir completamente o peso daquele isolamento. A Antártida acaba funcionando mais como cenário do que como personagem.
E isso é uma pena, porque havia potencial para transformar aquele ambiente em uma verdadeira panela de pressão. Em vez disso, algumas situações parecem uma esquete de programa semanal em formato de suspense.

Uma mensagem importante, mas mal construída
A principal mensagem sobre violência contra a mulher e machismo é completamente válida, mas o problema está em como ela é colocada na história. O filme apresenta acontecimentos e conflitos esperando que o espectador monte sozinho a mensagem de conscientização.
Ao mesmo tempo, são tantos personagens, traumas e assuntos apresentados em pouco mais de 90 minutos que várias histórias parecem começar e simplesmente desaparecer. É quase a sensação de assistir a uma série que foi condensada em um longa.

Quando o roteiro pesa
Os diálogos também não ajudam. Em diversos momentos são artificiais, enquanto alguns coadjuvantes parecem ainda presos à interpretação teatral. A motivação principal do grupo de pesquisadores praticamente morre na primeira confraternização antes dos acontecimentos.
Andréa Beltrão, porém, consegue segurar o filme. Sua presença dá peso à investigação e impede que tudo desmorone completamente.
No fim, Antártida é uma produção ambiciosa que tinha cenário, elenco, efeitos e uma ótima premissa, mas acaba presa ao próprio roteiro. O problema não é querer falar sobre algo importante; é não conseguir transformar essa importância em uma narrativa convincente.
Tinha um continente inteiro para explorar, mas acabou ficando preso dentro da própria estação.



