Crítica : Dia D (2026)
Com quase três horas de duração, Steven Spielberg troca reflexão por espetáculo e entrega um filme tão ambicioso quanto frustrante.
É duro dizer isso em voz alta, principalmente quando estamos falando de Steven Spielberg, mas Dia D entra facilmente na conversa das maiores decepções do ano.
Spielberg sempre teve um fascínio evidente por alienígenas. Basta olhar para sua filmografia para perceber que o desconhecido, o contato extraterrestre e a curiosidade humana diante do impossível são temas que o acompanham há décadas. Por isso mesmo, quando Dia D foi anunciado, parecia que o diretor tinha em mãos uma oportunidade única.
Em um momento em que os Estados Unidos voltaram a alimentar discussões sobre vida extraterrestre através da divulgação de documentos e investigações envolvendo fenômenos aéreos não identificados, a expectativa era de que o filme explorasse justamente a pergunta mais interessante de todas: como a humanidade reagiria ao descobrir que não está sozinha?
Mas o que chega às telas é algo completamente diferente.

Uma ideia gigantesca sem direção
O maior problema de Dia D não é a falta de ambição. Pelo contrário. O filme está constantemente tentando parecer grandioso. O problema é que essa grandiosidade raramente encontra um propósito.
A sensação é que Spielberg tinha uma premissa extremamente forte nas mãos e, em algum momento do processo, decidiu abandoná-la para seguir por caminhos muito mais convencionais. Em vez de mergulhar nas consequências sociais, políticas e psicológicas dessa revelação, o longa prefere transformar tudo em um espetáculo que muitas vezes lembra produções de Michael Bay.
E não há nada de errado com isso quando esse é o objetivo desde o início. O problema é que Dia D parecia prometer algo muito mais próximo da reflexão do que da explosão.

Uma jornada longa demais
Outro obstáculo difícil de ignorar é a duração.
As quase três horas de filme pesam muito mais do que deveriam. Existem sequências inteiras que parecem esticar a narrativa sem realmente acrescentar novas camadas à história. O resultado é uma experiência que, em diversos momentos, se torna cansativa.
Não é apenas um filme longo. É um filme que parece longo.
E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.
Enquanto alguns dos grandes trabalhos de Spielberg fazem o tempo desaparecer diante da tela, aqui a sensação é justamente a contrária. O relógio se torna um companheiro constante durante a sessão.

Quando a expectativa se torna inimiga
Desde o anúncio, muitos cinéfilos apostavam que este seria mais um daqueles grandes eventos cinematográficos capazes de marcar a carreira do diretor. E talvez esse tenha sido um dos maiores problemas do filme: a expectativa criada ao seu redor.
Porque, no fim das contas, Dia D não entrega a profundidade que prometia nem o impacto emocional que parecia buscar. O longa acaba se tornando um filme extremamente divisivo, daqueles que certamente encontrarão defensores apaixonados, mas que também deixarão uma parcela significativa do público frustrada.
E talvez a comparação mais cruel seja inevitável. Mesmo décadas depois, produções como Fogo no céu continuam causando mais desconforto, mais fascínio e até mais medo quando o assunto é contato extraterrestre.
No fim, Dia D não é um desastre completo. Existe talento demais envolvido para isso. Mas é justamente por causa desse talento que a decepção se torna ainda maior. Porque por trás de suas quase três horas existe um excelente filme tentando sair, mas que nunca consegue escapar do peso das próprias ambições.





