Crítica : Supergirl (2026)

O lado visionário de James Gunn para reconstruir o universo da DC parecia ter encontrado o caminho certo com Superman. Por isso, era natural que Supergirl, inspirado na aclamada HQ A Mulher do Amanhã, chegasse cercado de expectativa. Afinal, adaptar uma das melhores histórias da heroína parecia a escolha perfeita para consolidar esse novo universo.

Infelizmente, o resultado passa longe disso.

Uma protagonista que não protagoniza

O maior problema de Supergirl é justamente aquilo que ninguém imaginava que aconteceria: o filme parece pouco interessado em sua personagem principal.

Em diversos momentos, a sensação é de estar assistindo a um episódio filler de Superman, e não a uma aventura inédita de Kara Zor-El. Falta personalidade, falta protagonismo e, principalmente, falta um motivo convincente para que essa história exista como um longa-metragem.

A trama acompanha Kara comemorando seu 22º aniversário, viajando por planetas sem um sol amarelo para finalmente conseguir ficar bêbada e sentir uma ressaca ,uma ideia curiosa e até divertida dentro da mitologia da personagem. No entanto, o roteiro rapidamente abandona essa premissa para apresentar uma história envolvendo um conquistador espacial que assassina a família de uma adolescente, rouba a nave de Kara e ainda envenena Krypto.

A partir daí, o filme se transforma em uma jornada de vingança.

Uma aventura que demora para chegar a lugar nenhum

O problema é que essa viagem nunca parece justificar suas quase duas horas de duração.

A dinâmica entre Kara e a adolescente lembra, em muitos momentos, um “Quatro Amigas e um Jeans Viajante” em versão espacial. As duas atravessam planetas, encontram novos personagens e vivem pequenas situações que pouco acrescentam à narrativa principal.

A impressão constante é que toda essa história poderia ser resolvida em pouco mais de trinta minutos.

Quando finalmente chega ao confronto final, o filme escolhe o caminho mais seguro possível, entregando uma resolução extremamente básica para um filme de super-herói, sem grandes surpresas ou momentos realmente memoráveis.

Um universo que ainda busca identidade

Nem mesmo a parte técnica consegue salvar a experiência.

A trilha sonora raramente conversa com o que está acontecendo em cena, diminuindo o impacto de momentos que deveriam ser emocionantes. O roteiro parece constantemente perdido entre querer fazer uma aventura espacial, um drama de amadurecimento e um blockbuster tradicional, sem conseguir desenvolver plenamente nenhuma dessas propostas.

Como se isso não bastasse, um personagem secundário bastante interessante acaba roubando boa parte da atenção do filme, deixando Kara ainda mais apagada dentro da própria história.

E talvez essa seja a maior decepção de todas.

Porque Supergirl tinha nas mãos uma protagonista forte, uma excelente HQ como base e o embalo positivo deixado por Superman. Ainda assim, consegue entregar um filme confuso, irregular e sem a força necessária para convencer que Kara realmente merece ocupar esse espaço dentro da nova DC.

No fim, a maior sensação não é de raiva, mas de dúvida. Se este era o projeto que deveria reforçar a confiança no planejamento de James Gunn, ele acaba fazendo justamente o contrário. Supergirl deixa uma enorme interrogação sobre o futuro da DC Studios e mostra que, mesmo com boas ideias na origem, executá-las continua sendo o maior desafio desse universo.

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