Crítica: Extermínio 3 – A Revolução
“Extermínio 3 – A Revolução” chega depois de 18 anos de espera por um terceiro filme da franquia. A parceria entre Alex Garland e Danny Boyle prometia trazer de volta o universo que revolucionou o gênero e a própria forma como o cinema via os “infectados”. A proposta parecia ousada: uma história mais intimista, filmada inteiramente com iPhone 15. Mas o que na teoria funcionaria muito bem, na prática deixou a desejar.

O longa abandona a grandiosidade da pandemia global para se concentrar em uma ilha isolada na Escócia e, sobretudo, num drama familiar que nem sempre entrega a profundidade necessária. Como muitos anos se passaram desde a infecção, era esperado que os “zumbis” evoluíssem. Essa mudança até existe, mas de um jeito que pouco impacta a trama, levantando até a pergunta: será que o tempo realmente “curou” a humanidade?
Outro ponto fraco é a construção dos personagens e da própria comunidade em que vivem. Tudo gira em torno do jovem Spike, o que torna o enredo confuso e previsível. Essa escolha limita o alcance emocional e desperdiça o potencial dramático que o filme. Por fim, o desfecho dá a sensação de que a história foi esticada apenas para justificar outras sequências.

Se o roteiro deixa a desejar, a parte técnica impressiona. A estética crua captada pelo iPhone dá um tom visceral e inovador, e as cenas de ação lembram uma espécie de “bullet time” reinventado para o terror. A trilha sonora complementa e eleva os melhores momentos, e os efeitos práticos são um frescor num mercado saturado por CGI.
No fim, “Extermínio 3 – A Revolução” tenta seguir um caminho mais humano e experimental, mas perde parte da intensidade que fez a franquia marcante. Enfim, poderia ter sido uma conclusão grandiosa.
Texto original por Filipe Machada, adaptação por Frednunes





