Crítica : O Mandaloriano e Grogu

Uma franquia órfã das telonas

Até mesmo com o anúncio de um novo filme de O Mandaloriano e Grogu, ficou evidente como os fãs estavam praticamente órfãos de Star Wars nos cinemas. Depois de anos com produções sendo lançadas diretamente no streaming, e convenhamos, com muito mais resultados negativos do que positivos , parecia inevitável que a Disney resolvesse apostar justamente na sua maior galinha dos ovos de ouro atual.

E honestamente, não tinha como ser diferente.

O Mandaloriano acabou se tornando facilmente o maior fenômeno dessa nova era da franquia, principalmente por conta de Grogu. O personagem ultrapassou completamente a bolha geek e virou um fenômeno cultural. Era questão de tempo até a Disney perceber que aquilo precisava chegar às telonas.

Uma aventura episódica que abraça o lado mais divertido da saga

O resultado é um filme extremamente episódico, quase como se fosse uma quarta temporada condensada em formato de blockbuster. E isso pode soar estranho para alguns fãs mais antigos, mas para o público mais novo funciona perfeitamente.

O longa é um convite simples, divertido e fácil de gostar. Diferente de outras produções recentes da franquia, ele não exige que o espectador carregue todo o peso da saga Skywalker nas costas para conseguir se envolver emocionalmente.

Ao mesmo tempo, é justamente aí que nasce a maior dúvida para os fãs mais fervorosos: “mas precisava realmente virar filme?”.

Porque inevitavelmente surge aquela sensação de que talvez essa história pudesse simplesmente continuar no streaming. E o filme até parece responder isso de forma indireta: “sim… mas o cinema vende mais”.

A trama gira em torno de uma nova missão envolvendo Din Djarin e Grogu, dessa vez tentando salvar o filho de Jabba the Hutt enquanto enfrentam múltiplos vilões ao longo da jornada. E sinceramente, o longa nem tenta esconder que sua prioridade aqui é a diversão.

E nisso ele funciona muito bem.

Grogu continua sendo absurdamente carismático, principalmente quando o filme abraça totalmente seu lado mais galhofa, fofo e até meio cartunesco. Os pequenos momentos cômicos envolvendo assistentes e personagens secundários acabam entregando algumas das cenas mais divertidas da sessão.

Existe ali uma energia de aventura espacial clássica que deixa tudo extremamente leve e fácil de assistir.

Produto cinematográfico ou evento de verdade?

Mas também é impossível ignorar que O Mandaloriano e Grogu parece existir muito mais como produto de expansão da marca Star Wars do que como uma necessidade criativa genuína.

É o típico projeto pensado para trazer novos fãs, manter relevância cultural, vender personagens e reacender o interesse da franquia nos cinemas depois do hiato de sete anos desde o extremamente divisivo Ascensão Skywalker

E isso pode acabar afastando parte do público mais antigo, principalmente aqueles que talvez prefiram esperar o lançamento no streaming em vez de enxergar o filme como um verdadeiro evento cinematográfico.

Mas ao mesmo tempo, talvez esse seja justamente o maior acerto do longa. Ele não tenta reinventar Star Wars, não tenta carregar o peso de salvar a franquia e muito menos busca ser uma nova obra-prima da saga.

Ele simplesmente quer ser uma aventura divertida protagonizada pelos personagens mais carismáticos dessa nova fase. E sinceramente? Talvez isso já seja mais honesto do que boa parte das últimas produções da franquia.

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