Crítica : A Morte do Demônio – Em Chamas
Dois anos depois do ótimo A Morte do Demônio: A Ascensão, parecia que a franquia finalmente havia encontrado um novo caminho. O soft reboot deu novo fôlego à série, modernizou sua estética e mostrou que Evil Dead ainda tinha muito a oferecer. A expectativa, portanto, era que A Morte do Demônio: Em Chamas expandisse esse universo.

Infelizmente, isso acontece apenas parcialmente.
Uma ideia interessante que nunca se desenvolve
O novo filme abandona a ideia de seguir uma linha narrativa mais sólida entre os capítulos e prefere experimentar uma nova forma de contar essa história. O problema é que essa tentativa acaba transformando Em Chamas em um dos roteiros mais fracos de toda a franquia.
A sensação é de que o filme insiste em apresentar, pela quinta vez, praticamente os mesmos conceitos ao público. Novamente temos pessoas isoladas, uma família em perigo, possessões e toda a estrutura que Evil Dead vem utilizando há décadas.
Logo nos primeiros minutos, o longa já acelera o ritmo e apresenta um novo demônio ligado ao fogo, dando a impressão de que essa será a grande novidade da trama. Só que essa expectativa dura pouco. O tal demônio praticamente desaparece durante o filme e o grande antagonista da história acaba sendo outro Deadite completamente diferente, deixando essa nova ameaça restrita ao desfecho e ligada a um personagem específico.
No fim, a ideia parece muito mais uma promessa para o futuro do que algo realmente importante para o presente.

Entre o novo e o velho
Embora tente fugir de alguns padrões da franquia, Em Chamas nunca consegue abandonar completamente seus velhos hábitos.
A clássica abertura impactante continua presente, assim como o isolamento da história, desta vez em uma casa abandonada que, convenhamos, parece abandonada até demais. O curioso é que duas pessoas vivem ali há algum tempo e, mesmo assim, o lugar continua com um aspecto completamente inabitável, o que acaba tirando um pouco da credibilidade daquele ambiente.
Outro problema é a duração.
O filme é curto demais para a quantidade de personagens e situações que tenta desenvolver. O roteiro atropela acontecimentos, introduz pessoas importantes sem lhes dar o devido espaço e faz a narrativa parecer confusa em diversos momentos.

O espetáculo continua sendo a carnificina
Se existe algo que Evil Dead continua fazendo melhor do que quase qualquer outra franquia de terror, é transformar violência em entretenimento.
A verdadeira diversão continua sendo a quantidade absurda de sangue, mutilações, efeitos práticos e situações grotescas que beiram o humor negro. O longa entende perfeitamente que parte do charme da franquia está justamente nessa mistura entre nojeira, sadismo e comédia ácida.
Além disso, a direção continua encontrando maneiras criativas de filmar o horror. As coreografias das cenas de ação, os movimentos de câmera e algumas tomadas bastante inventivas ajudam a elevar o nível técnico da produção e mostram que, visualmente, Evil Dead continua sendo uma referência dentro do gênero.
No fim, A Morte do Demônio: Em Chamas diverte, mas não consegue alcançar o nível de seu antecessor. A impressão é de que a franquia ainda possui potencial, porém parece não saber exatamente para onde deseja seguir.
E talvez esse seja o aspecto mais preocupante. Porque, pela primeira vez desde sua renovação, Evil Dead deixa menos curiosidade pelo próximo capítulo do que dúvidas sobre qual caminho essa história ainda pode percorrer.




