Crítica – Marsupilami – Confusão a Bordo

Adaptar desenhos para o live-action já deixou de ser novidade há muito tempo. Depois de tantas versões de personagens clássicos chegando aos cinemas, era questão de tempo até que Marsupilami, um dos quadrinhos mais conhecidos da França, também ganhasse sua própria aventura. E, felizmente, o filme entende muito bem qual é seu objetivo: divertir.

Humor acima de tudo

Se você entrar na sessão esperando um filme infantil cheio de lições de moral, talvez se surpreenda. Marsupilami está muito mais próximo de comédias como Garfield e Tom & Jerry do que de produções familiares tradicionais.

Seu humor aposta quase o tempo todo na comédia física, nas situações absurdas e no caos provocado pelo simpático animal de cauda interminável. É um tipo de humor que funciona justamente por não tentar parecer sofisticado.

E funciona.

Uma aventura despretensiosa

A história acompanha uma família que atravessa uma crise após os pais iniciarem um processo de divórcio. Paralelamente, o pai acaba se envolvendo com a “máfia” da cidade e recebe uma missão para quitar sua dívida: viajar até outro país para recuperar um misterioso pacote.

Aproveitando a ocasião, ele decide transformar a viagem em uma comemoração de aniversário para o filho, mas tudo muda quando o tal pacote se abre e revela o raro Marsupilami. A partir daí, o filme mergulha em uma sequência de perseguições, confusões e situações cada vez mais malucas.

O roteiro é simples e previsível, mas nunca tenta esconder isso. A aventura existe apenas como ponto de partida para colocar seus personagens em situações cômicas, e essa honestidade acaba sendo uma de suas maiores qualidades.

Jean Reno se diverte tanto quanto o público

Outro destaque é a presença de Jean Reno. Seu vilão não é particularmente memorável nem representa uma grande ameaça, mas o ator claramente entende o tom da produção e abraça o papel sem medo do exagero. É aquele típico antagonista que serve muito mais para alimentar a comédia do que para criar tensão.

O verdadeiro protagonista, no entanto, continua sendo Marsupilami. Carismático, expressivo e dono de um ótimo timing cômico, ele sustenta boa parte do filme praticamente sozinho.

No fim, Marsupilami não pretende reinventar o cinema de aventura nem entrar para a lista dos grandes clássicos do gênero. É uma produção leve, divertida e consciente de suas limitações. Para quem gosta de comédia física e de adaptações despretensiosas de desenhos animados, é uma excelente pedida, seja na tela do cinema ou no conforto de casa.

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